
Diariamente me pergunto e tento descobrir como. Às vezes vou vivendo meio sem pensar, meio por reflexo. Nem sempre, porém. Resolvi então experimentar uma coisa diferente: nadar em um rio...
Um rio europeu, bem gelado.
As vantagens dos rios europeus é que eles não tem todos aqueles bichos que tem nos rios tropicais. Para alguém cheia de fobias, é mesmo uma vantagem.
E para que fazer isso? Bem, pra me sentir vivendo.
Mas como é que uma pessoa vive? Existe receita?
Cada pessoa encontra a sua maneira de viver. Tem gente que vive tudo intensamente, esgotando os momentos até as últimas gotas. Outros prendem-se na religião como guia para tudo e consolo para os infortúnios. Outras pessoas só querem saber de saber mais e mais. Alguns querem somente diversão, ou poder, ou sucesso. Certos adotam o princípio de que deve-se ser sempre positivo, nunca se deve olhar para o seu lado negro, custe o que custar, (não) doa o que (não) doer. Algumas pessoas vivem na superficialidade da zona de conforto. Tem gente que se afunda no trabalho. Tem gente que não pensa, e vai com a maré. Já outros guiam-se sempre por princípios para viver. Tem gente que só sobrevive, respira e come e dorme e no dia seguinte tudo de novo. Sei lá, existem milhões de formas de viver. Acho que são sempre maneiras válidas de lidar com a angústia, o medo, a solidão, as coisas básicas da vida. Pois a vida é isso, acima de qualquer prazer. Infelizmente é assim. Por mais que tentemos mascarar, ignorar ou negar.
Desculpe se isso é chato. Pode ser que o que eu escreva seja “baixo-astral”, mas estou tentando buscar uma forma de viver, a minha forma de viver. E para isso é inevitável encarar o meu lado escondido e negro, que alguns dias me devora por completo... E faço isso no papel, para não ter que fazer na minha vida real.
Ainda não defini como eu vivo, nem sei se um dia vou conseguir fazer. Tenho meus hábitos, as coisas que eu gosto, algumas ideias, mas tudo muda tanto e todos os dias.... E hoje penso tanto nisso. Meu irmão menor está muito muito doente, não sabemos se ele vai conseguir superar esse crime, essa injustiça que está acontecendo com ele.
E com isso, eu aprendo mais uma coisa: temos que viver da melhor maneira possível. Pois a vida é uma só e pode acabar a qualquer hora... E depois, o que vem? Nada, nada, desligaram a luz. Acabou.
Então essa é uma lição que eu levo para aplicar nesse ano: aprender a viver, achar o meu jeito certo de viver, a minha filosofia de vida. A vida é tão curta, que isso é absolutamente necessário.
Quanto ao rio... Saí da cidade, e cheguei até ele em meia hora. Estava com meu maiô por baixo da roupa, estacionei, fui andando devagar até a margem. O dia estava cinza e feio mas ameno, não tão frio, dez graus. Olhei bastante para o rio, era pequeno, mas nem tanto. Um rio conhecido aqui na região que eu moro. Avaliei minhas chances de me afogar ou algo desagradável (sei lá, um bicho) acontecer. Tudo bem.
Tirei a roupa e devagar entrei no rio. O solo era lamacento, meus pés afundavam e eu fiquei morrendo de nojo. A correnteza era fraca. Não tinha ninguém por perto, nenhuma testemunha para me chamar de estranha ou idiota. Mergulhei, até o último fio de cabelo. Que frio! Muito frio, a água estava muito gelada! Ainda abri os olhos, e vi tudo turvo.
Com o gelo veio uma corrente elétrica, e uma vontade de rir. Que loucura, que ato mais banal, e ao mesmo tempo tão fantástico! Sim, minhas alegrias e ousadias são assim, pequenas e únicas. E secretas. Saí do rio, tremendo, corri para pegar uma toalha e me secar. Senti meu coração batendo e meu sangue. Voltei para casa, e não contei isso para ninguém.
Eu fiz isso porque eu posso. Porque estou viva. Porque consigo. Talvez eu tenha simplesmente que viver assim: porque estou viva, porque posso, e sou livre para fazer o que quiser.
Linda... fiquei sem palavras!!
ReplyDeleteTão simples e envolvente... confesso que senti o sangue correndo, rasgando minhas veias com meu corpo molhado e o vento batendo, gelando ainda mais... em sua descrição.
Parabéns.
Beijos e ganhastes uma leitora :D
Bi muito obrigada e volte sempre!
DeletePois vou sair contando pra todo mundo.
ReplyDelete[Brincadeirinha]
É isso, a vida não tem receita. Basta a consciência de estar vivo.
:)
Obrigada Allan so nao fala pra ninguem ;-)!
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