Todo dia eu faço tudo tão sempre igual que
dá medo. Começo todos os dias com o mesmo sentimento, saudando à revelia o dia que
vai crescer e morrer na minha frente com todas as possibilidades já conhecidas.
Acordo todo dia no mesmo horário, sempre o mesmo processo: o despertador toca as sete horas, eu deixo no soneca três
vezes. Quando levanto, vou imediatamente ao banheiro. Faço os mesmos movimentos
de todos os dias. Tenho os mesmos pensamentos todas essas manhãs.
Após alguns minutos, o ritual da manhã vai
se encaixando aos poucos, numa inércia toda própria. Acordar filhos, a preparação de copos de leite, os gritos
para apressarem-se, o cansaço estampado nos nossos rostos. O sino da igreja,
que toca sempre das sete e cinquenta e sete às oito e três. Tocou o sino, eles tem que ir para fora. E a manhã passa então a se desenrolar,
vagarosa, silenciosa, preguiçosa, de acordo com o meu bel prazer.
Mas tudo isso agora vai acabar. Depois de um ano e meio vivendo assim,
depois desse tempo todo em que o sino da igreja colocava a minha família para
fora de casa mas não eu, tudo vai mudar: segunda-feira começo a trabalhar!
Nem acredito no tempo que levou e na forma
como me adaptei a esta rotina. A princípio parecia que vivia umas eternas
férias; depois, passei a ver minha vida com estranheza, como se ela não me
pertencesse; até que, enfim, a rotina passou a ser muito perigosa, já que eu me
vi me acostumando, me afeiçoando a ela! O trabalho passou a ser algo a se
desejar somente da boca para fora...
A verdade é que passei a achar uma delícia
poder mandar todo mundo embora para escola, trabalho, e fazer o que quisesse
das minhas manhãs. Passei a amar ter a liberdade de planejar o que quisesse
para os meus dias. Nesse tempo também pude viajar, ler, escrever, pensar,
falar, cozinhar, andar, tomar café como nunca, pois tinha todo o tempo do mundo para isso.
Que luxo ser dona do meu tempo...
Mas acabou. Tanto fiz, tanto busquei, que
a-ca-bou. E segunda-feira eu volto àquela vida que me pertence, de trabalhadora. Vou fazer algo similar ao que fazia em
Londres, numa concorrente da empresa que trabalhava antes. Estou contente e
ansiosa, mas apreensiva: sei bem (só agora) o que estou perdendo. Mas ainda
assim, eu gosto de mudanças.
E 2012 começa, com rotina sim, mas uma
rotina inteiramente nova. Novos tempos. E agora só preciso de um pouco de
sorte!
Deixe a sorte de lado e vá em frente. Segunda-feira chegou e o mundo está esperando por você.
ReplyDelete:)
Obrigada!!! :-D
ReplyDeleteTudo gira, tudo muda e ao mesmo tempo, não sai do lugar, até sair de novo, gira de novo, mudar de novo e lá vai, tudo de novo e de novo... Espiral, vertigem, escada, viagem, viver...
ReplyDeleteBoa sorte, boa rotina, menina! ;)
oi Mony, e que assim seja ;-)
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