Eram uns olhos grandes
Daqueles cujas íris
Não tocavam jamais a base
E perdidos rodavam
Esses olhos flutuantes,
Que apareciam e sumiam
Num jogo mudo e distante
De presença e ausência
Olhos que viam sem ver
Que como pássaros prateados
Apenas pousavam nas coisas
Sem capturar o que espelhavam
Uns olhos leves e moles
De quem só se pode desconfiar
Jamais deram a alguém um chão
Pois simplesmente boiavam
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